Filtro Ultravioleta
Protetores solares são preparações cosméticas destinadas ao contato com a pele e lábios e que tenham a finalidade exclusiva, ou principal, de protegê-los contra os danos da radiação UVB e UVA, absorvendo, dispersando ou refletindo-as (RDC 752/2022).
A principal substância ativa do protetor solar é o filtro ultravioleta (UV), que pode ser categorizado como inorgânico ou orgânico.
Enquanto os filtros UV inorgânicos atuam principalmente refletindo e dispersando a radiação incidente, os filtros UV orgânicos apresentam componentes em suas estruturas capazes de absorver a radiação ultravioleta.
Radiação ultravioleta
Você precisa dos raios UVB para produzir vitamina D3
UVA | UVB |
Tem o dia todo | Das 10 as 15 hs |
Chega na derme | Chega na epiderme ( + superficial) |
Causa : Rugas – Manchas Câncer de pele | Causa : vermelhidão Queimaduras |
NÂO produz vit D3 | Produz vit. D3 |
Uma pessoa de pele escura pode precisar até 10 vezes mais exposição ao sol para produzir a mesma quantidade de vitamina D3 que uma pessoa de pele clara .
Protetores solares , em geral, bloqueiam contra UVB (e diminui a produção de vitamina D3 ) e não bloqueiam a UVA ( que produz câncer e envelhecimento ) . O uso de filtro tem aumentado muito nos últimos anos , estima-se que 18 x mais , contudo ,o melanoma( câncer de pele maligno ) tem aumentado sua incidência .
Os ingredientes dos filtros solares e geral são tóxicos e quando absorvidos funcionam como xenobióticos.
Sob esse ângulo, estudos já confirmam o potencial irritativo e fotossensibilizante de filtros UV , podendo gerar radicais livres que causam danos à pele. Ademais, a absorção desses filtros UV pela pele, e a sua consequente distribuição sistêmica, podem gerar disrupção endócrina e toxicidade, alterando atividades hormonais e acumulando-se nos tecidos.
Por essa razão, o uso de protetores solares é contraindicado para gestantes e lactantes, uma vez que podem gerar problemas no desenvolvimento fetal e serem excretados no leite materno, respectivamente.
Existem evidências científicas de que alguns desses tipos de filtro podem causar danos ao meio ambiente .
Em alguns territórios como o Havaí (EUA) e Flórida (EUA) já proíbem a comercialização, desde 2021, de protetores solares que contenham os filtros orgânicos Oxibenzona e Octinoxate, a fim de diminuir o impacto sobre a vida marinha e fomentar a busca por novas alternativas não tóxicas e “amigas do mar”.
Hoje, já é possível encontrar certificações como “Friend of the Sea”, ou amigo do mar, ratificando que determinado produto necessariamente passou por testes laboratoriais específicos que comprovam sua segurança em relação à vida marinha.
Em 2010, um estudo publicado por pesquisadores suíços confirmou a suspeita de que substâncias presentes em alguns tipos de protetores solares são absorvidas pelo organismo e excretadas no leite materno. Como tais substâncias podem permanecer na gordura corporal por semanas, os especialistas afirmam que é mais seguro evitar seu uso durante a gestação. São elas: 4-metilbenzilideno cânfora (4-MBC), 3-benzilideno cânfora (3-BC) e octocrileno (OC).
ALTERNATIVAS PARA GESTANTES E BEBÊS
Os filtros UV inorgânicos, dióxido de titânio e o óxido de zinco , são os mais indicados para o uso infantil, gestantes e lactantes, em virtude da sua alta tolerabilidade e caráter hipoalergênico à peles mais sensíveis, no entanto essas substâncias costumam ser menos adaptáveis aos tons de pele no geral, uma vez que por se tratarem de pós brancos insolúveis na formulação, existe uma alta propensão a deixar um aspecto esbranquiçado na pele.
ALTERNATIVAS SUSTENTÁVEIS
A pesquisa em torno da capacidade fotoprotetora de extratos vegetais têm crescido e se mostrado promissora. Nesse sentido, estudos acerca da capacidade oxidante e fotoprotetora de derivados da Castanha do caju, Uva (Resveratrol), Folhas de Oliveira e outras espécies revelam resultados satisfatórios, indicando que é possível incrementar essas alternativas vegetais à formulação de protetores solares.
Referências
Resolução – RDC Nº 629 de 10 de março de 2022. Dispõe sobre os protetores solares e produtos multifuncionais em cosméticos.
S. Bom, J. Jorge, H.M. Ribeiro, J. Marto, A step forward on sustainability in the cosmetics industry: A review. Journal of Cleaner Production, Volume 225, 2019, Pages 270-290.
MORABITO, K. et al. Review of sunscreen and the emergence of non-conventional absorbers and their applications in ultraviolet protection. International Journal of Cosmetic Science, v.33, p.385–390, 2011.
RUSZKIEWICZ, J.A. et al. Neurotoxic effect of active ingredients in sunscreen products, a contemporary review. Toxicology Reports, v. 4, p. 245–259, 2017.
SCHNEIDER, Samantha L.; LIM, Henry W. Review of environmental effects of oxybenzone and other sunscreen active ingredients. Journal of the American Academy of Dermatology, v. 80, n. 1, p. 266-271, 2019.